Vias de Administração

Vias de Administração

Segundo Howland (2007): “A via de administração é determinada primariamente pelas propriedades do fármaco (p. ex., hidro ou lipossolubilidade, ionização, etc.) e pelos objetivos terapêuticos (p. ex., a necessidade de um início rápido da ação ou a necessidade de administração por longo tempo ou restrição de acesso a um local específico).”

Com isso em foco é que damos início a introdução sobre as principais vias de administração, são elas: A via Enteral e Parenteral.

A via enteral é composta por todas as administrações que utilizam o trato gastrintestinal para introduzir o fármaco no organismo.

A via parenteral é composta por todas as administrações que não utilizam o trato gastrintestinal para introduzir o fármaco no organismo.

Existem vantagens e desvantagens em ambas as vias, logo a escolha da mais adequada vem com o estudo do quadro clínico do paciente vinculado ao conhecimento farmacológico do fármaco.

Vias de Administração:

Via Oral (VO): É a via mais comum utilizada dentre as demais vias, isso porque o ato de engolir é algo natural ao ser humano, portanto ele não necessita, na grande maioria das vezes, da ajuda de um profissional especializado para ingerir o fármaco. A VO possui várias vantagens, porém possui também desvantagens em relação as outras vias, como por exemplo: A ação do pH estomacal sobre o fármaco, a possibilidade do fármaco sofrer metabolismo de primeira passagem, a interação com alimentos e substâncias ingeridas, dentre outras.

Esquema didático da Via Oral: Boca – Esôfago – Estômago – Intestino – Circulação Portal Hepática – Fígado – Coração – Circulação Sistêmica – Ação.

(Obs: Este esquema é variável de acordo com a ação do fármaco)

Fatores como absorção, biodisponibilidade e coeficiente de ionização do composto, são variáveis entre os diversos fármacos que utilizam esta via. Para um melhor entendimento destes fatores veja a parte de Farmacocinética – Absorção presente neste site.

Via Bucal e Sublingual (B/Sl): A área bucal por completa possui uma rica rede de vasos sanguíneos o que proporciona uma irrigação significativa nesta região. Os fármacos que são administrados por esta via são formulados para possuir um coeficiente de partição elevado, garantindo assim um caráter lipossolúvel a molécula. A alta lipossolubilidade é que vai permitir com que o fármaco consiga atravessar, com maior facilidade, a membrana celular presente nas células dos vasos sanguíneos atingindo a circulação sistêmica. Uma das vantagens mais importantes que se tem nesta via é que o fármaco não passa pelo metabolismo hepático antes de chegar na circulação sistêmica, logo ele não sofre o metabolismo de primeira passagem. Vale ressaltar que para o uso da via B/Sl o fármaco deve possuir atividade em concentrações pequenas.

Via Retal (Rt): Trata-se de uma via desconfortável na maioria dos casos, porém ela é extremamente útil em muitos quadros clínicos. A região retal possui poucas áreas de absorção devido a falta das vilosidades intestinais, fazendo com que a absorção seja mais lenta, porém algumas das principais veias retais (Inferior e Média) desembocam na veia cava inferior por intermédio da veia hipogástrica, ocasionando assim a liberação do fármaco na circulação sistêmica. A via Rt também possui a vantagem de driblar quase que por completo o sistema portal hepático, evitando que aproximadamente 50% do fármaco sofra o metabolismo de primeira passagem, porém é de conhecimento clínico que parte do fármaco, mesmo quando administrado por esta via é direcionado ao fígado. Em casos onde o paciente está desacordado, com convulsões ou vomitando muito está via é indicada. Várias são as classes de fármacos que possuem administração por essa via, por exemplo: antieméticos, anticonvulsivantes e antipiréticos.

“O diazepam e o metronidazol são particularmente bem absorvidos pela mucosa retal” (SCHELLACK. 2004; p.35)

Via Intravascular (IV): Nesta via a biodisponibilidade é total, não existe absorção. Todo o fármaco é posto de forma uniforme na circulação sistêmica por um acesso arterial ou venoso. A injeção intravascular tem a garantia de que a dose, em sua totalidade, vai chegar ao alvo e fazer o seu efeito, porém existem desvantagens que são apresentadas em alguns casos como, por exemplo, em obesos que possuem muito tecido adiposo e não expõem tanto suas veias periféricas, dificultando assim o acesso. Outra desvantagem é a chance de infecção sistêmica, oriunda da agulha que entra em contato direto com a circulação. Um ponto importante a ser lembrado é que quando o profissional vai aplicar a injeção IV, ele deve ter em mente que após feita a administração do fármaco não existe mais chance de retrocesso.

Curiosidade: Você sabia que o fármaco administrado por esta via se mistura com o volume circulante de sangue em aproximadamente 20 segundos? Isto pode ser observado em um paciente com rendimento cardíaco normal.

Via Intramuscular (IM): A deposição dos fármacos no músculo é uma alternativa para algumas substâncias como a Insulina que não pode ser ingerida. A administração IM se baseia no fato de que o músculo é um tecido muito vascularizado, logo o fármaco vai passar pelos vasos musculares que irão levá-lo para a circulação sistêmica. A velocidade com que a droga é difundida na circulação depende diretamente da vascularização que o músculo possui.

Via Subcutânea (Sc): É uma via utilizada apenas para fármacos que não causam danos ao tecido aplicado. Em caso de administração com um fármaco que não obedeça esse critério ele poderá causar irritação, dor intensa, descamação e até necrose, logo não são todos os fármacos que possuem essa via como opção de uso.

! Importante !: A vasoconstrição ou hipoperfusão do tecido muscular esquelético ou adiposo subcutâneo irão diminuir a velocidade da absorção em ambos os casos.

Via Transdérmica e Tópica: O fármaco é aplicado sobre a pele, que por sua vez é absorvido para a circulação. Vários anticoncepcionais estão sendo produzidos na forma de adesivos transdérmicos, promovendo um efeito prolongado. Cremes, loções e pomadas são exemplos de veículos de fármacos para uso tópico.

Outras vias:

Via Intra-Articular: O fármaco é aplicado no espaço articular do paciente, visando um efeito localizado. Em casos de artrite esta via as vezes é utilizada.

Via Intra-Arterial: A injeção Intra-Arterial colore seletivamente os tecidos e as mucosas do território correspondente a artéria e permite delimitar a topografia da vascularização. Algumas vezes no tratamento dos carcinomas essa via é empregada.

Via Intratecal: Com a dificuldade de transpor as barreiras hematoencefálica e hamatoliquórica esta via permite que o fármaco seja introduzido diretamente no espaço subaracnóide espinhal. Utilizada no caso de infecções agudas do Sistema Nervoso Central (SNC) e na raquianestesia.

Via Intraperitoneal: A cavidade peritoneal possui uma grande área de absorção, sendo assim os fármacos passam para a circulação com uma velocidade elevada. As perdas metabólicas pelo efeito de primeira passagem podem ser observados aqui em alguns casos.

Via Intraventricular: Algumas vezes o fármaco necessita ser administrado no ventrículo cardíaco. Quando este caso torna-se necessário esta via é empregada.

Via Oftálmica: É utilizada geralmente quando necessita de uma aplicação local nos olhos, porém como principal desvantagem, existe uma absorção sistêmica que é resultado da drenagem do fármaco através do canal lacrimal. Este efeito sistêmico é geralmente indesejável, pois além de ser absorvido ele não sofre efeito metabólico de primeira passagem, podendo causar toxicidade ao organismo.

Inalação: O fármaco inalado entra em contato com a superfície da membrana mucosa do trato respiratório e também do epitélio pulmonar, onde será difundido por todo o corpo.

Nota: Vale ressaltar que os esquemas acima descritos tratam-se de um resumo didático. Para maiores informações consultar os livros de farmacologia presentes na página do site – Literatura.

Referências Bibliográficas:

  • Goodman LS, Gilman AG. As bases farmacológicas da terapêutica.  Rio de Janeiro: Guanabara; 1987.
  • Schellack G. Farmacologia – Uma abordagem didática. São Paulo: Fundamento; 2008.
  • Howland RD, Mycek MJ. Farmacologia Ilustrada 3ª edição. Rio Grande do Sul: Artmed Editora S.A; 2007.
  • Oga S. Fundamentos de Toxicologia. São Paulo: Atheneu Editora São Paulo; 2003.

2 Comments on “Vias de Administração”

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