Agonistas / Antagonistas – Uma introdução


Para definirmos a farmacodinâmica é necessário entendermos do que ela se trata. Para facilitar a didática podemos afirmar que a farmacodinâmica é a conjunto de ações que o fármaco realiza no organismo. Podemos chamar de mecanismo de ação, efeito do fármaco ou ainda de características farmacodinâmicas do fármaco. O conhecimento da farmacocinética, da farmacodinâmica e da estrutura do fármaco torna possível a previsão da eficácia, reações adversas e dados clínicos relevantes. Logo, torna-se crucial ao clínico entender a farmacocinética e farmacodinâmica. O fármaco, para fazer a sua ação, deve se ligar a um alvo farmacológico/receptor. O grupo mais importante, sob o ponto de vista numérico, são as proteínas. As proteínas são numerosas e dentre tantas funções são alvos de vários fármacos na clínica. Porém, existem aqueles alvos farmacológicos que não desempenham função na terapêutica do paciente, são chamados de Aceptores. Um exemplo desta classe é a Albumina, uma macromolécula com um peso em torno de 68.000 Da e a mais abundante na corrente sanguínea (4 g / 100ml de soro). Possui um papel ímpar na farmacocinética, pois atua transportando fármacos ligados na mesma. Nessas condições, podemos chamar o complexo Albumina-Fármaco de Reserva Circulante. Esta reserva circulante, vai liberando o fármaco ligado a albumina na medida que o fármaco é eliminado, metabolizado ou quando sua concentração na corrente sanguínea diminui. Constitui-se assim o equilíbrio entre a fração ligada e livre do fármaco. Para maiores detalhes, vale a pena a consulta do tópico, aqui no site, intitulado Farmacocinética e nos livros Rang & Dale e Katzung.

Para estudarmos a farmacodinâmica é necessário ter em mente o conceito de agonistas e antagonistas. Existem autores que apenas citam as principais diferenças entre os variados tipos de um e de outro. Goodman relata, em sua décima segunda edição, as principais definições destes dois, apresentando dados e tabelas em sua didática (recomendo a leitura). Aqui, vamos nos ater aos princípios básicos e principais diferenças entre eles.

Biofase: Segundo Schellack, biofase consiste na área que circunda diretamente o sitio de ligação do receptor. As moléculas de drogas precisam alcançar a biofase em concentrações suficientemente altas para permitir que elas se liguem a um número apreciável de receptores para produzir um efeito clínico significativo. Shellack cita ainda a inalação de broncodilatadores como exemplos de classe farmacológica que podem ser administradas diretamente em sua biofase. Significando que doses menores são requeridas e menos efeitos colaterais sistêmicos são produzidos.

IMG_4867
                            Fonte: Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

1) Agonista: Fármacos que se ligam aos receptores fisiológicos e simulam os efeitos dos compostos endógenos.

2) Agonistas Totais / Parciais: Agonistas totais são aqueles que conseguem uma resposta de 100% do receptor quando ligados ao mesmo. Enquanto os agonistas parciais, independente da dose utilizada, não conseguem obter uma resposta total do receptor.

3) Agonistas inversos: São fármacos que estabilizam o receptor em seu estado inativado. Logo, não podem ser chamados de antagonistas, pois alteram a conformação do receptor. Esta é a principal diferença deles para os Antagonistas que possuem eficácia zero (não alteram a conformação do receptor – Ativa ou Inativa).

4) Antagonista Competitivos: Fármacos que ligam-se aos receptores bloqueando o sítio de ligação do agonista, devido a competição entre o agonista e o antagonista pelo receptor. Normalmente os antagonistas apresentam maior afinidade pelos receptores no que comparado aos agonistas do mesmo receptor. Sendo assim, os antagonistas competitivos podem deslocar o agonista correspondente de seu sitio de ligação. Vale ressaltar que no antagonismo competitivo, o aumento da concentração do agonista na biofase irá deslocar o antagonista de seu sítio de ligação, logo a concentração do agonista influência diretamente. Um caso prático de antagonismo competitivo na clínica é o uso de anti-histamínicos no tratamento de uma crise anafilática. Os anti-histamínicos não são utilizados isoladamente, pois devido a concentração maciça de histamina liberada, a histamina facilmente deslocará os anti-histamínicos dos seus receptores, uma vez que neste caso de antagonismo a concentração do agonista/antagonista na biofase interfere o deslocamento de um ou de outro. Para uma boa resposta e tratamento dos sintomas, é utilizado um antagonista funcional/fisiológico para amenizar os efeitos da anafilaxia, em seguida os anti-histamínicos, controlando de forma satisfatória o quadro clínico.

agonista antagonistaFonte: http://www.euquerobiologia.com.br/2013/11/farmacologia-receptores-substancias.html

5) Antagonistas funcionais ou fisiológicos: Segundo Schellack trata-se, na verdade, de agonistas de um sistema de receptores diferente, no qual produz os efeitos fisiológicos opostos aqueles produzidos pelo agonista inicial. Um exemplo é o antagonismo funcional apresentado pela adrenalina frente a histamina. “A adrenalina pode ser usada para efetivamente controlar os problemas clínicos que oferecem riscos de morte e que são produzidos por reações anafiláticas. A adrenalina é um agonista total do sistema de receptores adrenérgico, causando broncodilatação e vasoconstrição. Ela, portanto, anula os efeitos que colocam a vida em risco, provocados pela histamina, por meio da estimulação agonística de outro sistema de receptores.

6) Antagonistas Químicos: São fármacos que formam uma ligação química com o agonista reduzindo assim a sua eficácia. Exemplos desses são o sulfato de protamina, utilizado para terminar o efeito da heparina por meio de ligações iônicas e o agente quelante dimercaprol, utilizado para tratamento envenenamento por arsênico.

7) Antagonistas Metafinóides: Schellack define os metafinóides como sendo antagonistas que mudam a conformação dos sítios de ligação dos receptores utilizados pelos agonistas. Isso implica que o agonista não será mais capaz de se encaixar de maneira ótima nos sítios de ligação do seu receptor. O antagonista metafinóide influencia a ocupação do receptor agonista. Schellack cita ainda que, no caso de enzimas, este antagonismo pode ser chamado de antagonismo alostérico.

Esse e outros tipos de antagonismos e agonismos serão vistos nas postagens seguintes. Como foi dito no começo do texto, esta é apenas uma introdução sobre alguns tipos de agonismo/antagonismo e farmacodinâmica. As próximas postagens virão com detalhes sobre cada um deles. Tenha como base este tópico para se aprofundar melhor no conteúdo. Bons estudos.


Referências Bibliográficas

  • Goodman SL, Gilman GA. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre – RS: AMGH; 2012.
  • Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.
  • Schellack G. Farmacologia – Uma Abordagem Didática. São Paulo: Fundamento; 2008.

4 Comments on “Agonistas / Antagonistas – Uma introdução”

  1. Adriane de Souza disse:

    Muito bom!
    Enriquece o conhecimento.

  2. tatiana disse:

    obrigada! ajudou muito

  3. Cristina disse:

    Obrigada!!!!

  4. dcaura abreu s.braga disse:

    MUITO GRATA!


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.