Antagonismo Competitivo

Dando continuidade aos tipos de agonismo e antagonismo, iremos começar as postagens sobre o tema com um dos fenômenos mais estudados pela farmacologia: o Antagonismo Competitivo.

Como foi visto na postagem anterior, um antagonista é aquele que se liga a um receptor e não o ativa, não possuindo, portanto, uma atividade ou resposta. Em outras palavras ele possui o encaixe necessário (afinidade) para se ligar ao receptor, porém essa ligação não desencadeia uma reação de resposta no mesmo.

O antagonismo competitivo não é diferente. No caso, existe uma competição pelo receptor entre o antagonista e o agonista. Esta competição gera uma baixa da resposta daquele receptor, partindo do pressuposto que o receptor só consegue receber uma molécula no sítio por vez. Na presença do antagonista na biofase dos receptores alguns deles serão bloqueados, justificando assim a diminuição da resposta máxima. Dentro do antagonismo competitivo existem dois tipos de antagonistas: os antagonistas competitivos reversíveis e os irreversíveis.

– Antagonismo Competitivo Reversível: Como o nome já sugere, é um tipo de antagonismo onde o efeito antagônico pode ser revertido. Os principais fatores responsáveis por essa reversão são a concentração do agonista e do antagonista na biofase do receptor e o tipo de ligação que o antagonista forma com o receptor.

O antagonista competidor reversível (superável) sofre uma diminuição considerável de seu efeito frente a uma concentração mais elevada do agonista do receptor, ou seja, caso exista uma maior concetração do agonista na biofase o antagonista não terá “vez de se ligar”. O gráfico teórico apresentado deste tipo de antagonismo é dito “sigmóide”, devido a estrutura formada no gráfico da função esboçada na curva log concentração x efeito. Vale ressaltar que tais experimentos teóricos são feitos frente a uma concentração fixa do antagonista contra uma concentração crescente do agonista na biofase do receptor. Tendo como o resultado a resposta máxima do receptor em um determinado momento, devido a superação da concentração do agonista contra a do antagonista.

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Foto retirada do livro Farmacologia de Rang e Dale, tradução da sétima edição, p. 10.

Gostaria de compartilhar com você, caro leitor, um parágrafo da sétima edição do livro Farmacologia de Rang & Dale (Editora: Elsevier), localizado na página 11, capítulo 2 (intitulado: Como Agem os Fármacos: Princípios Gerais):

“As características do antagonismo competitivo reversível descritas previamente refletem o fato de que a taxa de dissociação das moléculas do antagonista são altas o suficiente para que um novo equilíbrio seja rapidamente restabelecido após adição do agonista. De fato, o agonista é capaz de deslocar as moléculas do antagonista dos receptores, apesar de não poder, obviamente, retirar uma molécula do antagonista ligada ao receptor. O deslocamento ocorre porque, ao ocupar uma proporção dos receptores livres, o agonista reduz a taxa de associação das moléculas de antagonistas, consequentemente a taxa  de dissociação temporariamente excede a de associação e a ocupação do antagonista é reduzida”.

Em uma rápida interpreção do texto de Rang notamos que o “deslocamento” farmacológico descrito acima não é físico (uma molécula empurrando e tirando a outra do receptor) e sim, a medida que o antagonista vai se dissociando do receptor, frente a uma concentração mais elevada do agonista na biofase, o agonista irá ocupar mais receptores que o antagonista, superando o efeito antagônico. Uma justificativa clara para o gráfico, onde a concentração fixa do antagonista presente vai sendo vencida pelo ocupação do agonista.

Sendo assim:

  • Na presença do antagonista, a curva do log da concentração x efeito do agonista é deslocada para a direita, não havendo alteração na inclinação ou no efeito máximo, sendo a extensão do deslocamento uma medida da razão de dose.
  • A razão de dose aumenta linearmente com uma concentração do antagonista. A inclinação dessa linha é a medida da afinidade do antagonista pelo receptor.
  • A afinidade do antagonista, medida dessa forma, é amplamente utilizada como base para a classificação do receptor.
O trecho acima foi extraído do livro Farmacologia de Rang e Dale, tradução da sétima edição, p. 11, editora Elsevier.

– Antagonismo Competitivo Irreversível: Este tipo de antagonismo ocorre quando o período de dissociação do antagonista é muito demorado ou quando ele não se dissocia dos receptores. Sendo assim, o agonista não tem espaço para se ligar, ou se liga de forma muito lenta resultando na alteração mínima ou nula da ocupação dos receptores pelo agonista. Normalmente tais fármacos possuem estruturas que se ligam de forma covalente ao receptor, garantindo uma ligação mais forte e segura.

Com isso, podemos entender um pouco mais sobre os antagonistas competitivos reversíveis e não reversíveis. Espero que tenham gostado do conteúdo e continuem mandando e-mails e sugestões, são sempre bem vindas!

Referências Bibliográficas:

Goodman SL, Gilman GA. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre – RS: AMGH; 2012.

Goodman SL, Gilman GA. Manual de Farmacologia e Terapêutica. Porto Alegre – RS: AMGH; 2010.

Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

 



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