Suplementos Vitamínicos – Automedicação Preocupante

O Jornal O Globo, noticiou no dia 19 deste mês, uma matéria sobre os riscos da suplementação de vitaminas intitulado: Consumo de suplementos vitamínicos sem necessidade pode prejudicar saúde. É um assunto bem delicado, uma vez que a “empurroterapia”, frente a algumas farmácias e profissionais, deste tipo de produto é algo frequente. Quem nunca passou em uma farmácia e de cara foi oferecido um polivitamínico como alternativa para males como “cansaço ou mal estar”? “- Ah! Isso é falta de vitamina, senhora! Leve este!”

Esta prática é tão presente no nosso dia a dia que é sempre interessante estar atento para este tipo de abordagem. Consulte sempre um médico ou um nutricionista para checar se a sua alimentação está de acordo com as suas necessidades fisiológicas.

Como o intuito do site é promover o conhecimento, deixo o link do Caderno de Atenção Básica – Carência de Micronutrientes, disponibilizado pelo Ministério da Saúde, para auxiliar profissionais da área e dar um conhecimento mais aprofundado sobre a temática.

Também trago para você, leitor, um artigo intitulado: Suplementos vitamínicos e/ou minerais: regulamentação, consumo e implicações à saúde. Trata-se de um artigo recente (Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 31(7):1371-1380, jul, 2015) onde trago o resumo do mesmo:

“Em decorrência das mudanças no padrão alimentar da população, a suplementação da dieta com micronutrientes é prática comum. A preocupação com a saúde e a facilidade de comercialização dos suplementos vitamínicos e/ou minerais, aliadas ao forte apelo publicitário, têm estimulado a população ao consumo indiscriminado desses produtos, o que pode acarretar riscos à saúde. Este trabalho teve como objetivo avaliar a legislação relativa ao cenário do consumo e segurança do uso de suplementos vitamínicos e/ou minerais no Brasil. Verificou-se que as legislações brasileiras a esse respeito são complexas, dificultando o entendimento das normas e a aplicação destas. Estudos sobre o consumo de suplementos pela população brasileira são limitados, e o consumo inadequado por falta de conhecimento é um potencial risco à saúde da população. Concluiu-se que há necessidade de implementação de políticas públicas que promovam o esclarecimento da população, dos profissionais da área de saúde e do comércio sobre o assunto.” (Autoria do artigo: Lucile Tiemi Abe-Matsumoto, Geni Rodrigues Sampaio e Deborah H. M. Bastos).

Vamos pensar muito bem antes de consumir qualquer produto desta categoria. Não se automedique! Procure um profissional adequado para lhe dar todas as informações necessárias. Lembre-se: Sua saúde em primeiro lugar!


95% dos oncologistas não recomendam a pílula do câncer, afirma pesquisa

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) realizou uma pesquisa com 398 médicos da área e obteve um resultado intrigante. Aproximadamente 95% dos entrevistados não recomendam o uso de Fosfoetanolamina sintética, a famosa PÍLULA DO CÂNCER. Dentre o argumentos que formam os resultados da pesquisa, um dos mais fortes é fato acerca dos dados atuais sobre a eficácia da pílula. Os médicos afirmam que os mesmos são insuficientes para encorajar o tratamento com a substância.

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A fonte é do site O GLOBO, para ler na íntegra acesse o link da matéria: O GLOBO


Anticoncepção de Emergência: Perguntas e Respostas

Conheça o Manual:

Anticoncepção de Emergência: Perguntas e Respostas para Profissionais de Sáude.

Produzido pelo Ministério da Saúde, o manual conta com perguntas frequentes e respostas esclarecedoras sobre o tema.

Perguntas como:

  • Em quais situações a anticoncepção de emergência está indicada?
  • Como é feita a anticoncepção de emergência?
  • A anticoncepção de emergência é eficaz? Qual o risco de falha?

São respondidas em uma linguagem fácil e didática. Tire suas dúvidas, caso a pergunta que você tenha não esteja no manual, envie para nós através da nossa página do Facebook, ou pelo email de contato!

Faça bom proveito!


Novas armas contra o Câncer e a Diabetes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou duas novas possibilidades de tratamento nesta segunda-feira (30/05).

A Temozolamida, segundo a bula do medicamento, tem indicação para combater o glioblastoma multiforme, astrocitoma anaplásico e melanoma maligno metastático em estágio avançado.

“Gliomas são tumores cerebrais primários provenientes da proliferação descontrolada de células gliais, representadas pelos astrócitos, oligodendrócitos e células ependimárias. O glioblastoma multiforme (GBM) assume notável importância ao representar pelo menos 80% dos gliomas de alto grau, ditos “malignos”, que incluem aqueles classificados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como grau III (Astrocitoma Anaplásico, Oligodendroglioma Anaplásico, Oligoastrocitoma Anaplásico) ou grau IV (Glioblastoma, GBM), sendo, dessa forma, o tumor primário mais comum do sistema nervoso central (SNC).”

Texto retirado do artigo intitulado:Glioblastoma multiforme em idosos: uma revisão sobre seu tratamento com ênfase na abordagem cirúrgica“, com autoria de Guilherme Lellis Badke, Alexandros Theodoros Panagopoulos, Guilherme Brasileiro de Aguiar e José Carlos Esteves Veiga (Arq Bras Neurocir 33(1): 45-51, 2014).

Foi aprovado também pela Agência o registro nacional do NESINA PIO (r) [benzoato de alogliptina + pioglitazona] na forma de comprimido. O medicamento será fabricado e distribuído pela Takeda Pharma.

Para saber um pouco mais sobre a alogliptina, recomendo a leitura deste artigo.


Promessas? A pílula do câncer falha em testes

O texto retirado do site do Conselho Federal de Farmácia (matéria na íntegra) é oriundo do O Estado de S.Paulo sendo a autoria de Paula Felix.

“Fizemos o teste com tumores de crescimento rápido para verificar se (a substância) tinha alguma atividade anticancerígena. O que a gente notou é que ela não mata as células tumorais”, explica Manoel Odorico de Moraes Filho, professor titular de Farmacologia Clínica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará e um dos coordenadores do estudo do MCTI.

Especialistas. Presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Gustavo Fernandes diz que os resultados reforçam os pedidos para que os pacientes não parem o tratamento convencional para tomar a substância. “Parece que não é tóxico e não funciona. Todo tratamento precisa ter uma comprovação clínica. Se fosse um rito normal de pesquisa, pararia por aqui. Se não funciona em cobaia, não seria levado para humanos.”

Qual o seu posicionamento frente a Fosfoetanolamina? O site Farmacologia quer saber!


Antagonismo Competitivo

Dando continuidade aos tipos de agonismo e antagonismo, iremos começar as postagens sobre o tema com um dos fenômenos mais estudados pela farmacologia: o Antagonismo Competitivo.

Como foi visto na postagem anterior, um antagonista é aquele que se liga a um receptor e não o ativa, não possuindo, portanto, uma atividade ou resposta. Em outras palavras ele possui o encaixe necessário (afinidade) para se ligar ao receptor, porém essa ligação não desencadeia uma reação de resposta no mesmo.

O antagonismo competitivo não é diferente. No caso, existe uma competição pelo receptor entre o antagonista e o agonista. Esta competição gera uma baixa da resposta daquele receptor, partindo do pressuposto que o receptor só consegue receber uma molécula no sítio por vez. Na presença do antagonista na biofase dos receptores alguns deles serão bloqueados, justificando assim a diminuição da resposta máxima. Dentro do antagonismo competitivo existem dois tipos de antagonistas: os antagonistas competitivos reversíveis e os irreversíveis.

– Antagonismo Competitivo Reversível: Como o nome já sugere, é um tipo de antagonismo onde o efeito antagônico pode ser revertido. Os principais fatores responsáveis por essa reversão são a concentração do agonista e do antagonista na biofase do receptor e o tipo de ligação que o antagonista forma com o receptor.

O antagonista competidor reversível (superável) sofre uma diminuição considerável de seu efeito frente a uma concentração mais elevada do agonista do receptor, ou seja, caso exista uma maior concetração do agonista na biofase o antagonista não terá “vez de se ligar”. O gráfico teórico apresentado deste tipo de antagonismo é dito “sigmóide”, devido a estrutura formada no gráfico da função esboçada na curva log concentração x efeito. Vale ressaltar que tais experimentos teóricos são feitos frente a uma concentração fixa do antagonista contra uma concentração crescente do agonista na biofase do receptor. Tendo como o resultado a resposta máxima do receptor em um determinado momento, devido a superação da concentração do agonista contra a do antagonista.

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Foto retirada do livro Farmacologia de Rang e Dale, tradução da sétima edição, p. 10.

Gostaria de compartilhar com você, caro leitor, um parágrafo da sétima edição do livro Farmacologia de Rang & Dale (Editora: Elsevier), localizado na página 11, capítulo 2 (intitulado: Como Agem os Fármacos: Princípios Gerais):

“As características do antagonismo competitivo reversível descritas previamente refletem o fato de que a taxa de dissociação das moléculas do antagonista são altas o suficiente para que um novo equilíbrio seja rapidamente restabelecido após adição do agonista. De fato, o agonista é capaz de deslocar as moléculas do antagonista dos receptores, apesar de não poder, obviamente, retirar uma molécula do antagonista ligada ao receptor. O deslocamento ocorre porque, ao ocupar uma proporção dos receptores livres, o agonista reduz a taxa de associação das moléculas de antagonistas, consequentemente a taxa  de dissociação temporariamente excede a de associação e a ocupação do antagonista é reduzida”.

Em uma rápida interpreção do texto de Rang notamos que o “deslocamento” farmacológico descrito acima não é físico (uma molécula empurrando e tirando a outra do receptor) e sim, a medida que o antagonista vai se dissociando do receptor, frente a uma concentração mais elevada do agonista na biofase, o agonista irá ocupar mais receptores que o antagonista, superando o efeito antagônico. Uma justificativa clara para o gráfico, onde a concentração fixa do antagonista presente vai sendo vencida pelo ocupação do agonista.

Sendo assim:

  • Na presença do antagonista, a curva do log da concentração x efeito do agonista é deslocada para a direita, não havendo alteração na inclinação ou no efeito máximo, sendo a extensão do deslocamento uma medida da razão de dose.
  • A razão de dose aumenta linearmente com uma concentração do antagonista. A inclinação dessa linha é a medida da afinidade do antagonista pelo receptor.
  • A afinidade do antagonista, medida dessa forma, é amplamente utilizada como base para a classificação do receptor.
O trecho acima foi extraído do livro Farmacologia de Rang e Dale, tradução da sétima edição, p. 11, editora Elsevier.

– Antagonismo Competitivo Irreversível: Este tipo de antagonismo ocorre quando o período de dissociação do antagonista é muito demorado ou quando ele não se dissocia dos receptores. Sendo assim, o agonista não tem espaço para se ligar, ou se liga de forma muito lenta resultando na alteração mínima ou nula da ocupação dos receptores pelo agonista. Normalmente tais fármacos possuem estruturas que se ligam de forma covalente ao receptor, garantindo uma ligação mais forte e segura.

Com isso, podemos entender um pouco mais sobre os antagonistas competitivos reversíveis e não reversíveis. Espero que tenham gostado do conteúdo e continuem mandando e-mails e sugestões, são sempre bem vindas!

Referências Bibliográficas:

Goodman SL, Gilman GA. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre – RS: AMGH; 2012.

Goodman SL, Gilman GA. Manual de Farmacologia e Terapêutica. Porto Alegre – RS: AMGH; 2010.

Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

 


Curso de Perícia Forense! Não perca essa oportunidade!

Atenção para você que tem interesse na área! O curso será ministrado na cidade de Fortaleza – CE! Aproveite a oportunidade!

SAVE THE DATE!!! 14 de Maio (Sábado).

Curso de Perícia Forense.

Palestras com enfoque nas áreas de Genética e Toxicologia Forense e ministradas por Peritos Legistas da Polícia Forense do Ceará (PEFOCE).

Curso realizar-se-á no dia 14 de Maio no Auditório do Shopping Del Paseo, para maior conforto e segurança.

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Realização: Prof. Diego Lima em
Parceria com o Instituto Wiser

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Diclofenaco de Sódio altera a Pressão Arterial?

Muitos clínicos tem essa dúvida e limam o sal sódico do diclofenaco por precaução na terapêutica aplicada ao paciente. O “Século do Sal” foi revolucionário na vida de muitos hipertensos, pois vários eram os pacientes que, até algumas décadas atrás, não tinham o conhecimento dos males causados pelo uso abusivo do sal de cozinha.

Mas e então? Usar ou não o sal sódico deste fármaco para tratamento das inflamações?

O Conselho Federal de Farmácia, em sua página oficial, traduziu de forma clara este tema, esclarecendo a todos esta dúvida:

Resposta do Conselho Federal de Farmácia sobre a pergunta: Pacientes hipertensos podem utilizar diclofenaco sódico? O sal potássico seria mais indicado?

Resposta do CFF emitida dia 04.10.2012:

“O diclofenaco é um fármaco anti-inflamatório não esteroide (AINE) com atividade anti-inflamatória, analgésica e antipirética (Klasco, 2012).

O diclofenaco potássico e o diclofenaco sódico não apresentam diferenças farmacodinâmicas (mecanismo de ação) nem farmacocinéticas significativas, haja vista ambos serem administrados na mesma dose e absorvidos na forma ácida; ademais, a porção da molécula que apresenta ação é o diclofenaco, comum a ambos. Porém, em razão das opções de formas farmacêuticas disponíveis, os produtos comercializados podem diferir quanto ao tempo de início e duração da ação, interferindo assim na dose e esquema posológico a serem indicados para cada um deles (Klasco, 2012).

Dessa forma, as diferentes indicações das formas sódica e potássica do diclofenaco se devem somente à tecnologia farmacêutica (forma de liberação do fármaco) empregada (AHFS, 2011).

Duas meta-análises (Pope, 1993; Jonhson, 1994) envolvendo mais de 90 ensaios clínicos demonstraram que os AINE (como ácido mefenâmico, cetoprofeno, cetorolaco, diclofenaco, piroxicam, valdecoxibe) podem elevar a pressão arterial. Ambas as meta-análises apresentaram maior elevação da pressão arterial em pacientes hipertensos (Batlouni, 2010).

O aumento da pressão arterial associado ao uso de AINE relaciona-se à diminuição significativa nas concentrações de prostaglandinas e renina (Pope, 1993; Batlouni, 2010).

O conjunto de dados também mostrou que os AINE interferem nos efeitos de várias classes de anti-hipertensivos, especialmente naqueles cujo mecanismo de ação envolve a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras, tais como diuréticos, inibidores da enzima conversora de angiotensina e betabloqueadores. Bloqueadores dos canais de cálcio e antagonistas dos receptores da angiotensina II mostraram menos interferência por AINE (Batlouni, 2010).

Considerando a literatura científica consultada, o diclofenaco, tanto sódico como potássico, pode interferir na pressão arterial do paciente. Entretanto, essa interferência não se deve ao fato de um ser sódico e outro potássico, mas sim, por ser um AINE.

BIBLIOGRAFIA


1. Klasco RK (Ed): Drugdex System. Thomson MICROMEDEX, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponível em: http://www.thomsonhc.com/. Acesso em: 13.08.2012.

2. Klasco RK (Ed): Martindale: The Complete Drug Reference. Thomson MICROMEDEX, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponível em: http://www.thomsonhc.com/. Acesso em: 13.08.2012.

3. McEvoy GK (Ed.). AHFS: Drug Information 2011. Bethesda: ASHP, 2011.

4. Pope JE, Anderson JJ, Felson DT. A meta-analysis of the effects of nonsteroidal anti-inflammatory drugs on blood pressure. Arch Intern Med. 1993; 153: 477-84. PubMed ID: 8435027

5. Jonhson AG, Nguyen TV, Day RO. Do nonsteroidal anti-inflammatory drugs on affect blood pressure? A meta-analysis. Ann Intern Med. 1994; 121 (4): 289-300. PubMed ID: 8037411

6. Batlouni M. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs: cardiovascular, cerebrovascularrenal effects. Arq. Bras. Cardiol. 2010 Apr. 94(4).”


A Organização Mundial de Saúde recomenda que para uma dieta saudável diária seja necessário não mais que 5 gramas de sal de cozinha (ou, aproximadamente, 2 gramas de sódio isolado presente neste sal). [Fonte: World Heath Organization – Healthy Diet / Reducing Salt Intake in Populations]. Logo em uma formulação farmacêutica de um comprimido que contém 50mg do fármaco, onde o mesmo está conjugado com o sódio, a quantidade presente do íon é muito baixa para causar um transtorno no paciente ao ponto de descompensar seus valores eletrolíticos e alterar sua pressão arterial.

Portanto, como conclusão, o fármaco Diclofenaco de Sódio não altera a pressão arterial devido a presença do íon sódio em sua formulação, mas sim pela sua classe terapêutica (AINE). Vale ressaltar que, no contexto da postagem e com fármacos não-MIP, o manejo deste tipo de paciente deve ser feito exclusivamente por um profissional prescritor devido a avaliação do binômio risco/benefício na introdução desta terapêutica em um paciente com quadro de hipertensão arterial sistêmica.


FDA aprova o “Viagra Feminino”

Em breve chegará ao mercado americano o “Viagra Feminino”. É uma longa jornada até a aprovação total pela FDA, mas mesmo assim a indústria detentora da patente mostra-se confiante. Inicialmente o produto havia sido rejeitado pela FDA, porém em junho deste ano, com novos testes apresentados, a FDA voltou atrás da negativa. Flibanserin [Addyi] (“Pink Pill”), como também é chamada, é patente da Sprout Pharmaceuticals, empresa que prevê a chegada do produto no mercado americano em 7 de outubro deste ano. Como foco, o medicamento visa tratar mulheres em menopausa como redução de libido. Porém existem pessoas que se mostraram muito receosas e até contrarias ao uso do medicamento.

“Salvação de uns e desgraça de outros”. Segundo o site Medscape, vários profissionais enviaram cartas e documentos ao FDA solicitando a não-aprovação do produto. Dentre as alegações, os efeitos adversos com o uso concomitante de álcool e de qual forma a industria detentora do medicamento caracteriza “baixo libido feminino”, foram destaques.

A notícia na íntegra você acompanha no link abaixo:
http://www.medscape.com/viewarticle/849643#vp_1


Agonistas / Antagonistas – Uma introdução


Para definirmos a farmacodinâmica é necessário entendermos do que ela se trata. Para facilitar a didática podemos afirmar que a farmacodinâmica é a conjunto de ações que o fármaco realiza no organismo. Podemos chamar de mecanismo de ação, efeito do fármaco ou ainda de características farmacodinâmicas do fármaco. O conhecimento da farmacocinética, da farmacodinâmica e da estrutura do fármaco torna possível a previsão da eficácia, reações adversas e dados clínicos relevantes. Logo, torna-se crucial ao clínico entender a farmacocinética e farmacodinâmica. O fármaco, para fazer a sua ação, deve se ligar a um alvo farmacológico/receptor. O grupo mais importante, sob o ponto de vista numérico, são as proteínas. As proteínas são numerosas e dentre tantas funções são alvos de vários fármacos na clínica. Porém, existem aqueles alvos farmacológicos que não desempenham função na terapêutica do paciente, são chamados de Aceptores. Um exemplo desta classe é a Albumina, uma macromolécula com um peso em torno de 68.000 Da e a mais abundante na corrente sanguínea (4 g / 100ml de soro). Possui um papel ímpar na farmacocinética, pois atua transportando fármacos ligados na mesma. Nessas condições, podemos chamar o complexo Albumina-Fármaco de Reserva Circulante. Esta reserva circulante, vai liberando o fármaco ligado a albumina na medida que o fármaco é eliminado, metabolizado ou quando sua concentração na corrente sanguínea diminui. Constitui-se assim o equilíbrio entre a fração ligada e livre do fármaco. Para maiores detalhes, vale a pena a consulta do tópico, aqui no site, intitulado Farmacocinética e nos livros Rang & Dale e Katzung.

Para estudarmos a farmacodinâmica é necessário ter em mente o conceito de agonistas e antagonistas. Existem autores que apenas citam as principais diferenças entre os variados tipos de um e de outro. Goodman relata, em sua décima segunda edição, as principais definições destes dois, apresentando dados e tabelas em sua didática (recomendo a leitura). Aqui, vamos nos ater aos princípios básicos e principais diferenças entre eles.

Biofase: Segundo Schellack, biofase consiste na área que circunda diretamente o sitio de ligação do receptor. As moléculas de drogas precisam alcançar a biofase em concentrações suficientemente altas para permitir que elas se liguem a um número apreciável de receptores para produzir um efeito clínico significativo. Shellack cita ainda a inalação de broncodilatadores como exemplos de classe farmacológica que podem ser administradas diretamente em sua biofase. Significando que doses menores são requeridas e menos efeitos colaterais sistêmicos são produzidos.

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                            Fonte: Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

1) Agonista: Fármacos que se ligam aos receptores fisiológicos e simulam os efeitos dos compostos endógenos.

2) Agonistas Totais / Parciais: Agonistas totais são aqueles que conseguem uma resposta de 100% do receptor quando ligados ao mesmo. Enquanto os agonistas parciais, independente da dose utilizada, não conseguem obter uma resposta total do receptor.

3) Agonistas inversos: São fármacos que estabilizam o receptor em seu estado inativado. Logo, não podem ser chamados de antagonistas, pois alteram a conformação do receptor. Esta é a principal diferença deles para os Antagonistas que possuem eficácia zero (não alteram a conformação do receptor – Ativa ou Inativa).

4) Antagonista Competitivos: Fármacos que ligam-se aos receptores bloqueando o sítio de ligação do agonista, devido a competição entre o agonista e o antagonista pelo receptor. Normalmente os antagonistas apresentam maior afinidade pelos receptores no que comparado aos agonistas do mesmo receptor. Sendo assim, os antagonistas competitivos podem deslocar o agonista correspondente de seu sitio de ligação. Vale ressaltar que no antagonismo competitivo, o aumento da concentração do agonista na biofase irá deslocar o antagonista de seu sítio de ligação, logo a concentração do agonista influência diretamente. Um caso prático de antagonismo competitivo na clínica é o uso de anti-histamínicos no tratamento de uma crise anafilática. Os anti-histamínicos não são utilizados isoladamente, pois devido a concentração maciça de histamina liberada, a histamina facilmente deslocará os anti-histamínicos dos seus receptores, uma vez que neste caso de antagonismo a concentração do agonista/antagonista na biofase interfere o deslocamento de um ou de outro. Para uma boa resposta e tratamento dos sintomas, é utilizado um antagonista funcional/fisiológico para amenizar os efeitos da anafilaxia, em seguida os anti-histamínicos, controlando de forma satisfatória o quadro clínico.

agonista antagonistaFonte: http://www.euquerobiologia.com.br/2013/11/farmacologia-receptores-substancias.html

5) Antagonistas funcionais ou fisiológicos: Segundo Schellack trata-se, na verdade, de agonistas de um sistema de receptores diferente, no qual produz os efeitos fisiológicos opostos aqueles produzidos pelo agonista inicial. Um exemplo é o antagonismo funcional apresentado pela adrenalina frente a histamina. “A adrenalina pode ser usada para efetivamente controlar os problemas clínicos que oferecem riscos de morte e que são produzidos por reações anafiláticas. A adrenalina é um agonista total do sistema de receptores adrenérgico, causando broncodilatação e vasoconstrição. Ela, portanto, anula os efeitos que colocam a vida em risco, provocados pela histamina, por meio da estimulação agonística de outro sistema de receptores.

6) Antagonistas Químicos: São fármacos que formam uma ligação química com o agonista reduzindo assim a sua eficácia. Exemplos desses são o sulfato de protamina, utilizado para terminar o efeito da heparina por meio de ligações iônicas e o agente quelante dimercaprol, utilizado para tratamento envenenamento por arsênico.

7) Antagonistas Metafinóides: Schellack define os metafinóides como sendo antagonistas que mudam a conformação dos sítios de ligação dos receptores utilizados pelos agonistas. Isso implica que o agonista não será mais capaz de se encaixar de maneira ótima nos sítios de ligação do seu receptor. O antagonista metafinóide influencia a ocupação do receptor agonista. Schellack cita ainda que, no caso de enzimas, este antagonismo pode ser chamado de antagonismo alostérico.

Esse e outros tipos de antagonismos e agonismos serão vistos nas postagens seguintes. Como foi dito no começo do texto, esta é apenas uma introdução sobre alguns tipos de agonismo/antagonismo e farmacodinâmica. As próximas postagens virão com detalhes sobre cada um deles. Tenha como base este tópico para se aprofundar melhor no conteúdo. Bons estudos.


Referências Bibliográficas

  • Goodman SL, Gilman GA. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12. ed. Porto Alegre – RS: AMGH; 2012.
  • Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.
  • Schellack G. Farmacologia – Uma Abordagem Didática. São Paulo: Fundamento; 2008.