Diclofenaco de Sódio altera a Pressão Arterial?

Muitos clínicos tem essa dúvida e limam o sal sódico do diclofenaco por precaução na terapêutica aplicada ao paciente. O “Século do Sal” foi revolucionário na vida de muitos hipertensos, pois vários eram os pacientes que, até algumas décadas atrás, não tinham o conhecimento dos males causados pelo uso abusivo do sal de cozinha.

Mas e então? Usar ou não o sal sódico deste fármaco para tratamento das inflamações?

O Conselho Federal de Farmácia, em sua página oficial, traduziu de forma clara este tema, esclarecendo a todos esta dúvida:

Resposta do Conselho Federal de Farmácia sobre a pergunta: Pacientes hipertensos podem utilizar diclofenaco sódico? O sal potássico seria mais indicado?

Resposta do CFF emitida dia 04.10.2012:

“O diclofenaco é um fármaco anti-inflamatório não esteroide (AINE) com atividade anti-inflamatória, analgésica e antipirética (Klasco, 2012).

O diclofenaco potássico e o diclofenaco sódico não apresentam diferenças farmacodinâmicas (mecanismo de ação) nem farmacocinéticas significativas, haja vista ambos serem administrados na mesma dose e absorvidos na forma ácida; ademais, a porção da molécula que apresenta ação é o diclofenaco, comum a ambos. Porém, em razão das opções de formas farmacêuticas disponíveis, os produtos comercializados podem diferir quanto ao tempo de início e duração da ação, interferindo assim na dose e esquema posológico a serem indicados para cada um deles (Klasco, 2012).

Dessa forma, as diferentes indicações das formas sódica e potássica do diclofenaco se devem somente à tecnologia farmacêutica (forma de liberação do fármaco) empregada (AHFS, 2011).

Duas meta-análises (Pope, 1993; Jonhson, 1994) envolvendo mais de 90 ensaios clínicos demonstraram que os AINE (como ácido mefenâmico, cetoprofeno, cetorolaco, diclofenaco, piroxicam, valdecoxibe) podem elevar a pressão arterial. Ambas as meta-análises apresentaram maior elevação da pressão arterial em pacientes hipertensos (Batlouni, 2010).

O aumento da pressão arterial associado ao uso de AINE relaciona-se à diminuição significativa nas concentrações de prostaglandinas e renina (Pope, 1993; Batlouni, 2010).

O conjunto de dados também mostrou que os AINE interferem nos efeitos de várias classes de anti-hipertensivos, especialmente naqueles cujo mecanismo de ação envolve a síntese de prostaglandinas vasodilatadoras, tais como diuréticos, inibidores da enzima conversora de angiotensina e betabloqueadores. Bloqueadores dos canais de cálcio e antagonistas dos receptores da angiotensina II mostraram menos interferência por AINE (Batlouni, 2010).

Considerando a literatura científica consultada, o diclofenaco, tanto sódico como potássico, pode interferir na pressão arterial do paciente. Entretanto, essa interferência não se deve ao fato de um ser sódico e outro potássico, mas sim, por ser um AINE.

BIBLIOGRAFIA


1. Klasco RK (Ed): Drugdex System. Thomson MICROMEDEX, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponível em: http://www.thomsonhc.com/. Acesso em: 13.08.2012.

2. Klasco RK (Ed): Martindale: The Complete Drug Reference. Thomson MICROMEDEX, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponível em: http://www.thomsonhc.com/. Acesso em: 13.08.2012.

3. McEvoy GK (Ed.). AHFS: Drug Information 2011. Bethesda: ASHP, 2011.

4. Pope JE, Anderson JJ, Felson DT. A meta-analysis of the effects of nonsteroidal anti-inflammatory drugs on blood pressure. Arch Intern Med. 1993; 153: 477-84. PubMed ID: 8435027

5. Jonhson AG, Nguyen TV, Day RO. Do nonsteroidal anti-inflammatory drugs on affect blood pressure? A meta-analysis. Ann Intern Med. 1994; 121 (4): 289-300. PubMed ID: 8037411

6. Batlouni M. Nonsteroidal anti-inflammatory drugs: cardiovascular, cerebrovascularrenal effects. Arq. Bras. Cardiol. 2010 Apr. 94(4).”


A Organização Mundial de Saúde recomenda que para uma dieta saudável diária seja necessário não mais que 5 gramas de sal de cozinha (ou, aproximadamente, 2 gramas de sódio isolado presente neste sal). [Fonte: World Heath Organization – Healthy Diet / Reducing Salt Intake in Populations]. Logo em uma formulação farmacêutica de um comprimido que contém 50mg do fármaco, onde o mesmo está conjugado com o sódio, a quantidade presente do íon é muito baixa para causar um transtorno no paciente ao ponto de descompensar seus valores eletrolíticos e alterar sua pressão arterial.

Portanto, como conclusão, o fármaco Diclofenaco de Sódio não altera a pressão arterial devido a presença do íon sódio em sua formulação, mas sim pela sua classe terapêutica (AINE). Vale ressaltar que, no contexto da postagem e com fármacos não-MIP, o manejo deste tipo de paciente deve ser feito exclusivamente por um profissional prescritor devido a avaliação do binômio risco/benefício na introdução desta terapêutica em um paciente com quadro de hipertensão arterial sistêmica.