Questão – 05

Se você acompanha o facebook ou o instagram você viu a pergunta de número 05, falando sobre o antídoto para intoxicação por paracetamol. Nesta postagem contém a reposta comentada sobre a questão.

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Dentre os itens apontados na questão, a pralidoxima e a atropina são utilizadas no tratamento da intoxicação por organofosforados, já o dantroleno combate o quadro de hipertemia maligna (causada por suxametônio). A albumina é uma proteína de 68.000 Da que tem uma função, em termos de farmacocinética, muito importante de transportar medicamentos pelo nosso organismo.

Sendo assim, o item correto trata-se da acetitilcisteína. Item: D.

Segundo Rang & Dale (7 ed), o paracetamol, em doses tóxicas, causa vômitos e náuseas. Após 24-48h da superdosagem, ocorre lesão hepática potencialmente fatal por saturação das enzimas normais de conjugação. Tal fato faz com que o paracetamol sofra conversão por oxidades de função mista em N-acetil-p-benzoquinonaimina (NAPQI). Caso esta não seja inativada por conjugação com a glutationa, este composto promove uma reação com as proteínas celulares causando a morte celular.

Pegando como base a bula do medicamento Fluimucil ® (medicamento de referência na data da postagem [vide a lista atualizada dos medicamentos de referência – ANVISA]), temos que:

Este é um medicamento indicado quando se tem dificuldade para expectorar e há muita secreção densa e viscosa, tais como: bronquite aguda, bronquite crônica simples e suas exacerbações, enfisema, pneumonia, atelectasias pulmonares, fibrose cística (mucoviscidose) – doença hereditária que produz muco espesso. Também é indicado como antídoto na intoxicação acidental ou voluntária por paracetamol“.

O artigo intitulado “Falência hepática aguda em neonato de termo após ingestão de doses repetidas de paracetamol“, de Fábio Bucaretchi e colaboradores traz o seguinte dado:

A N-acetilcisteína é o antídoto de eleição no tratamento das intoxicações por paracetamol, sendo um precursor da glutationa reduzida que, ao ser administrada precocemente, pode evitar a lesão hepática induzida pelo paracetamol, restaurando os níveis de glutationa. Quando se conhece o momento da exposição, a administração de N-acetilcisteína está formalmente indicada após a ingestão de overdoses isoladas de paracetamol, quando os níveis séricos, preferencialmente obtidos entre quatro e oito horas da ingestão, estão acima da linha de risco de hepatotoxicidade no nomograma de Rumack-Matthew, mesmo sem evidências clínicas ou laboratoriais de lesão hepática”.

Já o artigo intitulado “Antídotos e medicamentos utilizados para tratar intoxicações no Brasil: necessidades, disponibilidade e oportunidades” de Tais F. Galvão e colaboradores traz a seguinte tabela:

Extraída parcialmente do artigo acima supracitado.

A tabela continua com outros dados bem resumidos e didáticos. Recomendo a leitura. Sendo assim, fica claro a utilização deste antídoto para tratamento da intoxicação por paracetamol.

Para mais informações sobre a via metabólica do paracetamol recomendo, também, a leitura deste artigo: “Risco de hepatotoxicidade do Paracetamol (Acetaminofem)

Referências Bibliográficas:

Fábio Bucaretchi, Carla Borrasca Fernandes, Maíra Migliari Branco, Eduardo Mello De Capitani, Stephen Hyslop, Jamil Pedro S. Caldas, Carolina Araújo Moreno, Gilda Porta. Falência hepática aguda em neonato de termo após ingestão de doses repetidas de paracetamol. Rev Paul Pediatr 2014;32(1):144-8.

Tais F. Galvão, Fabio Bucaretchi, Eduardo M. De Capitani, Maurício G. Pereira, Marcus T. Silva. Antídotos e medicamentos utilizados para tratar intoxicações no Brasil: necessidades, disponibilidade e oportunidades. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29 Sup:S167-S177, 2013.

Juliana Lopes & Maria Eline Matheus. Risco de hepatotoxicidade do Paracetamol (Acetaminofem). Rev. Bras. Farm. 93(4): 411-414, 2012.

Rang HP, Dale MM. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2011.

Bula dos medicamentos disponíveis no Bulário Virtual da ANVISA, presente na página LINKS ÚTEIS deste site.

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